Sexta-feira, 16 de Fevereiro de 2007

Reino Maravilhoso











Entrevista


O país e, mais particularmente, o “Reino Maravilhoso” que o viu nascer, decidiram comemorar os 100 anos do nascimento de Miguel Torga. Nós quisemos abraçar esta ideia, pois sensibilizou-nos a maneira como atravessa a sua vida na defesa da liberdade e da identidade portuguesa e a forma como se coloca e isola perante os outros na defesa da sua identidade própria e da autenticidade. Sabemos da sua aversão a prémios e a entrevistas, e desde já agradecemos por nos ter recebido, a nós, que no fundo não somos críticos nem entendidos em literatura. Apenas gostamos de ler e de aprender com Miguel Torga, de percorrer a vessada torguiana e sorver nas courelas das suas páginas o maravilhoso sentir de quem nos fala de amor, esperança, verdade e poesia.



   

Podemos perguntar-lhe quem é Miguel Torga. Como se define como poeta e escritor?
“O meu verdadeiro rosto, presente ou futuro, está nos livros que escrevi. É neles que disse quem sou e como sou”. “Não há espelho mais transparente do que uma página escrita. É nela que fica testemunhada para todo o sempre a verdade irreversível do autor”.

[...]

    Já que escolhemos o Diário como obra para concorrer no concurso “Sapo Challenge”, como nos definiria o seu Diário?

“O Diário foi começando quando eu era criança. Continuou durante a época trágica da ditadura. Portanto não havia liberdade de pensamento existia uma censura brutal. Todos os jornais estavam calados, tal como os livros. Publiquei vários que foram apreendidos imediatamente. Como sabe, estive preso. A minha mulher foi expulsa da Universidade. Então o Diário foi surgindo de várias necessidades que havia em mim. Uma delas, uma das mais importantes, foi precisamente a de estar em oposição a um poder totalmente autoritário e opressivo. Assim ia mantendo as minhas próprias contas em dia com o espírito, ia clarificando em pensamento a minha situação humana e literária, e também sentimental. Depois sucedia o seguinte. Todos os livros que publicava eram apreendidos e era como se estivessem mortos. O Diário, como o editava de três em três anos, ou de quatro em quatro, durante esse período tinha a certeza de que eu estava intacto ali e de que dispunha, portanto, do meu próprio retrato. Era assim um espelho diante da minha própria consciência. Reforçava-me nesse espelho, aumentava a minha coragem para continuar a lutar e a resistir. Depois o Diário também era sequestrado, mas eu já tinha iniciado outro e continuava a estar diante desse mesmo espelho. Sou um andarilho, um homem que gosta de conhecer as coisas. E uma das maneiras de fixar as ilusões, as sensações, as impressões que tinha diante das coisas ao recordá-las, ao querer torná-las presentes para o seu estudo, era registando-as. E o Diário é isso. Por outro lado também havia a parte poética. Como sabe no Diário também havia muita poesia. Recorda-se do primeiro poema que escrevo no Diário? É um dos mais significativos. É realmente a chave. Intitula-se “Santo e Senha”: “Deixem passar quem vai na sua estrada / Deixem passar quem vai cheio de noite e de luar / Deixem passar e não lhe digam nada…”.

:: entrevista completa (imaginária)

:: entrevista com as referências bibliográficas (pdf)

:: entrevista audiovisual (resumo)


1ª Parte






2ª Parte



publicado por 5estrailes às 21:36

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